Há alguns dias meu amigo devolveu o
irmão para Deus, uma morte repentina, não deu a ele tempo tempo de se despedir,
como se houvesse despedida possível que tornasse a dor menor.
Ao imaginar a dor dele, fiquei
pensando na cumplicidade que há entre irmãos, no que é dividir um colo, um
quarto, muitas vezes até as roupas que passam de um para o outro, na maioria das
casas.
Pude vê-lo em suas artes, entre
machucados comuns nas crianças felizes que vivem e que tem o direito a um
quintal, uma árvore e até uma turma na rua, ou na escola.
Rezei por ele, pude ver em sua
dor, cada um dos meus irmãos queridos, cada um com sua história, com suas
vitórias, e até os momentos em que a vida nos deixou derrotados, ainda érramos
vencedores, pois tinhamos parceiros que nos ouviriam e enxugariam nossas
lágrimas, ainda teríamos o companherismo que é estar nos braços e nos laços de
quem nos ama.
São várias histórias que se
construíram na mesma casa e cada uma tão intensa quanto a outra, nenhuma menor
que a outra.
As vezes eu falo brincando que a
intimidade é um infermo, e que a gente quando tem intimidade coloca o outro em cada enrrascada, que os
estranhos jamais os fariam passar, mas a intimidade não é o inferno a
intimidade é o céu.
A intimidade é poder ficar em
silêncio e mesmo assim ser compreendido.
A intimidade é parte da irmandande
e por mais que as estradas sigam para caminhos diversos elas sempre estarão sob
olhos atentos de quem se quer bem.
Meu amigo teve que se despedir do
amigo que nasceu na mesma casa, mas a cumpricidade vai ficar como uma marca de
nascença, até que Deus permita um novo encontro e eles vão brincar como meninos
nos quintais do pai celestial.
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