sábado, 28 de fevereiro de 2015

DR. Spock - #LeonardNimoy

Faleceu aos 83 anos Leonard Nimoy, nosso Dr. Spock em 27/02
Espero que ele tenha tinha tido uma vida intensa, além de longa e próspera!
Spock nos ensinou a olhar para as estrelas de um modo diferente, passamos a pensar no espaço como a última fronteira.
Ontem ao saber da notícia me conectei com a criança que fui, sonhando em um balanço, a minha "Enterprise.
Que Deus esteja com ele, e com todos os personagens que são capazes de fazer uma criança ter sonhos de esperança!
Vida longa e próspera a todos!

Imagem:Davi Daring - http://dave-daring.deviantart.com/

sexta-feira, 4 de maio de 2012

O dia da Troca




Pessoal o texto sobre os sapatos teve uma repercussão muito bacana, eu nem imaginava que tantas pessoas se abririam e dariam um retorno tão sincero, que me deixou muito feliz.

Na minha família resolvemos fazer uma um dia da troca, foram dez convidadas e conversamos antes sobre o acontecimento, entretanto por ser numa quinta feira tivemos cinco faltantes, mas mesmo assim a experiência foi muito gratificante. 

O Convite foi enviado:E na quinta estávamos lá minha irmã improvisou duas araras ( duas cadeiras e cabos de vassoura) em uma ela e dispôs os objetos dela bem arrumadinhos. E  a organização já foi divertida e deixou o ambiente   descontraído.

Minha sobrinha de 11 anos  levou revistinhas para trocar por uma bota da minha mãe que a deixou alucinada, mas a minha mãe acabou esquecendo a bota, mas ele achou vestidos que cabiam nela, brincos, maquiagem e uma bolsa que ela já queria esconder antes da troca.

Cada uma das participantes espalhou suas coisas por um espaço da sala e aguardamos pela chegada da minha cunhada que não apareceu, e assim que ela avisou começamos a troca.

Foi muito as peças foram encontrando novas donas, algumas ainda com etiqueta e o mais bacana e que todo mundo  queria ser escolhido, foi uma confusão organizada, muito boa.

Com direito a desfiles curtos quando algo ficava muito bom em alguém, ainda perguntava:

Você quer trocar isto mesmo, mas está novinho e é tão bonito?

Não tinha nada feio, o espírito era este mesmo, todas as coisas levadas foram compradas por que eram bonitas e por algum motivo, elas vão ficando no armário, sem uso e trocá-las por algo que você sabe que vai usar é libertador.

Haviam na troca roupas, sapatos, bolsas, cintos, maquiagem, bijus,perfumes, cosméticos , revistinhas, livros, enfeites e até telas de pintura da minha sobrinha artista.

Nem tudo foi trocado, acho que em função das faltantes, que certamente se divertiriam com a gente, mas não puderam comparecer.

Já ficou prometida uma nova troca. Viramos adolescentes que usam a roupa da melhor amiga ou da mãe e viramos meninas, minha irmã que levou uma mala de coisas para a troca, enquanto enchia a mala novamente com as trocas realizadas comentou, nossa parece que acabo de sair de uma loja e comprei um monte de roupas novas!

Todo mundo tem amigas próximas e pessoas com quem teriam a liberdade de trocar uma peça de roupa ou um sapato, normalmente são as mesmas pessoas a quem você emprestaria seu vestido de festa sem dó.

Quem tiver disposto a se arriscar eu recomendo, feliz armário novo!


Um ano sem sapatos novos

 Em dezembro último completei um ano sem comprar sapatos. Sapato é algo que realmente gosto de comprar, e que nunca foi alvo de profunda reflexão.

O último sapato do ano de 2010 veio no dia 25/12 como presente surpresa de amigo oculto, dado  por minha irmã e veio fechar com chave de ouro a coleção.



Meus sapatos não são de couro por questões ideológicas, de forma que seu desgaste ocorre um pouco mais rápido. Um ano sem compras, pode proporcionar o uso de quase todos os pares de que eu dispunha.

Durante o ano ocorreram várias baixas, alguns não resistiram muito tempo, devido ao uso diário, e árduo, afinal meu dia é cheio de idas e vindas, quanto mais um ano. Alguns foram embora com um segundo de silencio (eram sapatos e devem seguir seu caminho, mesmo que em novos pés), outros duraram um pouco mais, mesmo assim muitos se mantiveram comigo.



A certeza de que não vai adquirir outro sapato tão cedo, faz com que você aproveite ao máximo um sapato e que até se despeça dele com alguma cerimônia.



Início de 2012 eu ainda não saí correndo para comprar um sapato novo..O que houve?



Percebi que eu tinha e tenho muito mais sapatos do que precisava, e resolvi fazer um balanço, para começar bem o ano.



Tenho 15 sapatos no ármario, ainda, sendo que três foram presentes.. Para alguns restam pouco tempo de vida... eles começam a sair do pé e não há sapateiro que resolva.



Dentre os 15, há um somente para dirigir que é melhor não ser visto em público..Um tenis (não gosto de tenis , então um me basta)



Dos 13 restantes foi triste identificar que há sete dos quais não gosto.. Mais de 50%! Como uma pessoa vai a uma loja, escolhe um sapato, paga por ele e não gosta?



Não comprar me fez perceber que muitas vezes compramos coisas que não gostamos, devido a uma promoção, um impulso ou mesmo os encantos de uma vendedora atenciosa, fora o risco de quem compra pela internet sem experimentar.



Não comprar me tornou exigente e me mostrou que só quero sapatos que eu realmente goste de verdade. 

Como no conto infantil da Cinderela, em que a jovem é encontrada pelo sapatinho de cristal que perderá, é preferível buscar seu sapatinho de cristal a ter dúzias de sapatos que jamais dariam um boa história, uma boa foto..



Não estou falando de comprar sapatos caros, estou falando de consumo consciente, comprar quando realmente precisar e curtir a compra como uma experiência única. Estou falando de amar o que você tem e se sentir poderosa em seus sapatinhos de cristal, e abrir mão dos pares que certamente serão sapatinhos de cristal, desde que cheguem aos pés certos.



Divido a experiência, pois acredito que isto não aconteça só comigo, mas com várias pessoas e em vários aspectos da vida. Só o mercado livre possui 11.801 anuncios de sapatos “seminovos”.



Descobri até uma porção de  blogs onde as pessoas trocam e vendem sapatos,roupas a maioria sem uso, cito 2 a seguir sem contar os inúmeros brechós na rede. 





E você quantos sapatos tem no armário?

Você gosta de todos eles?

Eu te desafio a usar todos neste ano que começa ou enviá-los para as Cinderelas certas!

A Morte


Há alguns dias meu amigo devolveu o irmão para Deus, uma morte repentina, não deu a ele tempo tempo de se despedir, como se houvesse despedida possível que tornasse a dor menor.


Ao imaginar a dor dele, fiquei pensando na cumplicidade que há entre irmãos, no que é dividir um colo, um quarto, muitas vezes até as roupas que passam de um para o outro, na maioria das casas.
 

Pude vê-lo em suas artes, entre machucados comuns nas crianças felizes que vivem e que tem o direito a um quintal, uma árvore e até uma turma na rua, ou na escola.


Rezei por ele, pude ver em sua dor, cada um dos meus irmãos queridos, cada um com sua história, com suas vitórias, e até os momentos em que a vida nos deixou derrotados, ainda érramos vencedores, pois tinhamos parceiros que nos ouviriam e enxugariam nossas lágrimas, ainda teríamos o companherismo que é estar nos braços e nos laços de quem nos ama.
 
São várias histórias que se construíram na mesma casa e cada uma tão intensa quanto a outra, nenhuma menor que a outra.

 As vezes eu falo brincando que a intimidade é um infermo, e que a gente quando tem intimidade  coloca o outro em cada enrrascada, que os estranhos jamais os fariam passar, mas a intimidade não é o inferno a intimidade é o céu.

A intimidade é poder ficar em silêncio e mesmo assim ser compreendido.

A intimidade é parte da irmandande e por mais que as estradas sigam para caminhos diversos elas sempre estarão sob olhos atentos de quem se quer bem.

Meu amigo teve que se despedir do amigo que nasceu na mesma casa, mas a cumpricidade vai ficar como uma marca de nascença, até que Deus permita um novo encontro e eles vão brincar como meninos nos quintais do pai celestial.

quinta-feira, 29 de março de 2012


Um balanço para sonhar



Eu tinha seis anos quando ele chegou ,um balanço de ferro  pintado em três cores. Era um sonho.

Até esperar o cimento secar para que pudéssemos brincar foi difícil.

Em poucos dias o interesse dos meus irmãos foi diminuindo e o balanço era meu por várias horas.

No balanço eu sonhava, via meu futuro, e o que eu gostaria de fazer quando adulta, ali eu podia chorar sem que ninguém visse e podia ser o que eu bem entendesse: astronauta, marinheira, cantora, estrela.

Eu tinha grande habilidade e balançava em pé, a muitos metros do chão, o mais alto que conseguisse. Eu falava com Deus e ele me respondia com o vento.

Aos nove anos, foram me buscar na escola, minha irmã de sete anos havia caído do balanço e fraturado o crânio.

Quando o acidente ocorreu, ela disse, para meu primo e meu irmão que assistiram a cena, que ia balançar como eu.

O balanço foi trancado a chave, e muitos me culparam pelo ocorrido.

Algumas vezes quando eu ficava só em casa, eu roubava a chave e balançava bem baixinho, sem que ninguém visse; Em poucos meses o balanço foi retirado e colocado em um porão.

Minha irmã se curou sem seqüelas, apenas a cicatriz que ficou como um pequeno afundamento na cabeça. Ela jamais me culpou pelo ocorrido.

Mudamos de casa e o balanço foi entre a mudança e ficou jogado com os materiais de construção.

Certa feita, quando chegava da escola, então com 13 anos, encontrei meu Lôlo e minha mãe discutindo, ele havia instalado o balanço no quintal preso a uma lavanderia que estava fazendo para minha mãe, para retirál- seria preciso quebrar a parede daquela construção.

Minha mãe muito brava, dizia:  Porque você fez isto? Este balanço só me traz más lembranças

Ele respondeu:

-Sua filha está curada, agradeça a Deus, e eu o coloquei para Denilde, nunca a vi mais feliz que naquele balanço e nunca vi nada mais bonito, eu a liberto da culpa que ela nunca teve.

Eu parei à porta, boquiaberta. Minha mãe encerrou a discussão dizendo:

-Deixe assim, já que está.

Na noite seguinte eu balancei e senti-me como antes, agradeci a meu tio e a Deus em lágrimas silenciosas.